Análise técnica durou 45 dias e apontou quadro clínico de “excepcional gravidade”. Relatório final do caso da pequena Maria Antonella, de 1 ano, será enviado ao Ministério Público e à Polícia Civil.
A Prefeitura de Nova Santa Rita concluiu a sindicância administrativa instaurada para investigar as circunstâncias do atendimento à pequena Maria Antonella da Silva de Azevedo, de apenas um ano de idade, que faleceu no dia 14 de julho de 2026 na Policlínica 24h do município. Segundo a nota oficial divulgada pelo Poder Executivo municipal, após 45 dias de análises e apurações, a Comissão de Sindicância concluiu que não houve negligência médica nem omissão por parte dos profissionais de saúde ou do município.
O relatório final aponta que a equipe da Policlínica 24h adotou as condutas e medidas médicas assistenciais cabíveis e disponíveis para conter um quadro clínico de “excepcional gravidade”. De acordo com o documento, também foram levados em consideração elementos do histórico de saúde da criança, como registros de vulnerabilidade respiratória prévia e atrasos em etapas do esquema vacinal.
Encaminhamento às autoridades e transparência
Mesmo com a conclusão administrativa isentando a equipe de saúde de culpa, o município informou que encaminhará a íntegra do processo e do relatório ao Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MP/RS) e à Polícia Civil (PC/RS). O objetivo é permitir que os órgãos de controle e investigação deem prosseguimento às avaliações dentro de suas respectivas atribuições legais.
Em nota, a administração pública lamentou a perda e manifestou solidariedade aos familiares de Maria Antonella, reconhecendo a comoção gerada na cidade:
“A Prefeitura lamenta profundamente a morte de Maria Antonella e manifesta sua solidariedade aos familiares, reconhecendo que nenhuma conclusão administrativa é capaz de diminuir a dor provocada pela perda de uma criança. Diante da gravidade do caso e de sua repercussão na comunidade, o Município torna pública a conclusão da sindicância e reafirma seu compromisso com a transparência, a responsabilidade e a qualificação dos serviços públicos de saúde.”
Relembre o Caso | A dor da família e a repercussão em Nova Santa Rita
A tragédia que mobilizou a comunidade de Nova Santa Rita teve início em meados de julho de 2026, poucos dias após Maria Antonella comemorar seu primeiro aniversário, no dia 4 de julho.
Os atendimentos e os relatos
Segundo relatos divulgados pela mãe da menina em redes sociais na época, a bebê apresentou sintomas respiratórios severos e foi levada pela primeira vez à Policlínica 24h em 13 de julho (segunda-feira). A mãe relatou que a médica que atendeu a criança diagnosticou quadro compatível com bronquiolite, realizou exames de imagem (raio-X) e liberou a família para retornar para casa. A família questionou a decisão, argumentando que o quadro já exigia internação ou observação continuada.
Na manhã do dia seguinte, terça-feira, 14 de julho, por volta das 7h, com a piora dos sintomas respiratórios e do estado geral da criança, os pais retornaram às pressas com Maria Antonella à Policlínica 24h. A família relatou demora no agravamento do socorro e apontou que os procedimentos de urgência, como a tentativa de intubação, ocorreram apenas no início da tarde, quando o estado de saúde da menina já era extremamente delicado. A criança não resistiu e o óbito foi confirmado no período da tarde do dia 14.
Protestos e apuração oficial
O desabafo emocionante da mãe nas redes sociais gerou forte comoção entre moradores do município e da Região Metropolitana. Nas semanas seguintes ao falecimento, moradores e familiares realizaram manifestações em frente à unidade de saúde cobrando esclarecimentos, transparência e o afastamento preventivo dos profissionais envolvidos durante o período das investigações.
Diante da repercussão pública e da gravidade da situação, a Prefeitura de Nova Santa Rita abriu imediatamente a sindicância administrativa para auditar prontuários, ouvir médicos, enfermeiros e testemunhas, além de analisar todos os procedimentos adotados no plantão.
Agora, com o encerramento do procedimento interno de apuração, a investigação prossegue na esfera policial e judicial, cabendo à Polícia Civil e ao Ministério Público avaliarem as conclusões do município e determinarem o arquivamento ou eventuais novas diligências sobre o caso.








