
CAMINHOS DA VIDA | Carta ao Marco de 2009: A Serenidade dos 20 Anos de Caminhada
Hoje, vinte anos depois do nosso primeiro “Só Por Hoje”, quero compartilhar com você o que aprendi nesse tempo que você ainda tem a percorrer.
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Hoje, vinte anos depois do nosso primeiro “Só Por Hoje”, quero compartilhar com você o que aprendi nesse tempo que você ainda tem a percorrer.

Foi nesse momento que percebi a grande diferença entre querer e não querer a recuperação. Ser feliz sem as drogas é a grande “sacada”, e isso é o que significa “pegar gosto pela caminhada”.

Em um cenário que se repete com uma tristeza alarmante, mães enfrentam o inimaginável: ver seus filhos, em momentos de fragilidade mental, serem vítimas de uma brutalidade que deveria ser evitada.

Olhar para esse texto 20 anos depois revela que o meu “voltar para me proteger” em 2008 não foi um sinal de fraqueza, mas o maior exemplo de vigilância e maturidade.

Embora o “almoço” não seja grátis, ele é o melhor investimento que se pode fazer. Diferente da droga, onde você paga caro por algo que te destrói, na recuperação você investe esforço em algo que se acumula.

Em tempo tão desafiador, que exigiu muito trabalho, resiliência e tenacidade, no apagar das luzes de 2025, despeço-me da Presidência da CICS Canoas. Saio feliz, com a alma leve e o coração preenchido de gratidão.

Este é um dos muitos textos sobre recuperação da dependência química e do álcool que escrevi durante os 20 anos de minha caminhada rumo a sonhada sobriedade.

A proteção de Canoas se tornou prioridade. Avançamos com seis frentes de obras nos diques e estamos concluindo o Muro da Cassol, reforçando pontos estratégicos e reduzindo o risco de novos alagamentos.

Esse processo que minha filha está passando me fez lembrar de 1977, foi no final desse ano que minha família se mudou de Uruguaiana, viemos de mala, cuia, mobília e até um cachorro chamado Gueyle.

E quando uma sociedade abdica da razão em nome da nostalgia, ela não está apenas relembrando o passado, está abrindo a porta para repeti-lo. E é certo que será ainda pior, porque cada vez que a história é esquecida a barbárie retorna disfarçada de salvação.

