PICOTANDO A POLÍTICA | O Grande Circo Eleitoral: ginástica olímpica, malabarismo e o jogo dos contentes no RS

Clique para ouvir esta notícia

Se você achou que as Olimpíadas tinham acabado, parabéns: começou o decatlo da política gaúcha. O debate dos pré-candidatos ao Governo do RS da Granpal e a corrida pelas disputadíssimas duas vagas ao Senado provam que, quando o assunto é voto, nossos pré-candidatos têm flexibilidade de dar inveja a qualquer ginasta profissional.

Vamos aos picotes de nossas manhãs, com aquele biquinho de ironia que a realidade exige.

O Debate da Granpal: Um Ringue na Região Metropolitana

O encontro era para falar de problemas regionais — saneamento, transporte, buracos que cabem um Fiat Uno dentro —, mas, claro, o pessoal prefere o bom e velho “tiro, porrada e bomba”.

Gabriel Souza (MDB): O vice-governador virou o saco de pancadas oficial da rodada. Como é “situação”, o coitado teve que fazer dupla jornada: tentar explicar planilhas técnicas ultra-complexas para o eleitor médio enquanto desviava de voadoras de todos os lados. É o clássico “tenta explicar que não é bem assim enquanto apanha”.

Luciano Zucco (PL): Alguém avise ao nobre deputado federal que a Granpal fica no Rio Grande do Sul, e não na Esplanada dos Ministérios. Zucco nacionalizou tanto o debate que parecia estar discutindo a geopolítica da Otan na Câmara Federal, tudo para não ter que falar da alça de acesso da BR-116. No meio do caminho, pegou um ranço monumental de Gabriel Souza e quase precisou de um chá de camomila nos bastidores. Calma, deputado!

Juliana Brizola (PDT): A campeã da “paz e amor”. Juliana vendeu a grife do diálogo, jurando de pés juntos que consegue conversar com gregos, troianos e até com quem bota passas no arroz. O detalhe poético é que ela prega o fim da polarização nacional enquanto carrega o PT de vice na chapa. Uma pirueta ideológica digna de nota 10 dos jurados!

Marcelo Maranata (PSDB): O ex-prefeito de Guaíba era o único que parecia saber onde fica a Região Metropolitana no mapa real, mas acabou meio isolado no canto, enquanto os outros três brincavam de Fla-Flu ideológico. Quem quer discutir gestão de verdade quando se pode gritar “comunista” ou “fascista”?

A DANÇA DAS CADEIRAS DO SENADO | Duas vagas para dez famintos

No Senado, a fila do “me dá um mandato” está dobrando a esquina. E as estratégias para convencer o eleitor beiram a ficção científica.

O BLOCO DA DIREITA E DO BOLSONARISMO RAIZ

Marcel van Hattem (Novo): O “aluno CDF” da turma. Orgulha-se de ter apenas uma falta justificadíssima em quatro anos (deve ter levado atestado médico assinado pela mãe). Abriu mão do fundão eleitoral, mas já passou a sacolinha e descolou R$ 250 mil em “vaquinha”. O discurso? “Sou bolsonarista, vocês sabem onde estou”. Mais direto, impossível. Só falta o crachá.

Sanderson (PL): Entrou na raia com uma missão quase messiânica dada pelo “Capitão”: eleger uma bancada para “enfrentar o STF”. O plano de governo dele para o RS parece ser resumido em: “Xandão, nós vamos te cobrar”. Além disso, promete renegociar a dívida do Estado. Boa sorte com isso, deputado. Se conseguir, ganha uma estátua no Parcão.

O BLOCO DO “ESTOU ACIMA DISSO” (A Esquerda e o Centro-Amor)

Paulo Pimenta (PT): O homem das mil faces. Líder do governo Lula na Câmara, militante histórico e… “advogado de todos os gaúchos”. Pimenta agora jura que, quando estava no Ministério da Reconstrução, nunca olhou o partido de nenhum prefeito. Quase escorreu uma lágrima aqui. Ele quer vender a imagem de que tem trânsito livre no Planalto — o que é verdade —, mas tenta esconder a estrela vermelha embaixo da lapela para não assustar o eleitorado conservador do interior.

Frederico Antunes (PP): O rei da articulação. Aprovou mais de 400 projetos na Assembleia Legislativa, mas agora tem o maior desafio de marketing de sua vida de 30 anos de política: explicar para a dona de casa que, desta vez, ele NÃO está concorrendo a deputado estadual. “Não digite o número antigo, pelo amor de Deus!”. Vai precisar do governador Eduardo Leite pegando na sua mão em cada comercial de TV.

Germano Rigotto (MDB): O “tbt” da política gaúcha. Rigotto quer ressuscitar o espírito de pacificação de 2002. O problema é que, em 2002, o Orkut recém estava nascendo. Agora, para se reconectar com a modernidade, o ex-governador está tentando entender como funciona o algoritmo do Instagram e mandando áudios para rádios do interior. É a nostalgia tentando vencer o TikTok.

Manuela (PSOL): A influencer digital do pleito. Agora vestindo a camisa do PSOL, Manu montou um estúdio em casa e grava cinco vídeos por dia. A estratégia é focar no eleitorado feminino, dizendo que “mulher não quer ouvir discurso de comício”. Traduzindo: menos blá-blá-blá de palanque e mais dancinha com conteúdo no Reels.

OS “ALTERNATIVOS” (Correndo por Fora)

  • Renato Jaguarão (Cidadania) & Milton Cardoso (PSDB): Os dois jogam o clássico jogo do “ninguém me conhece, então sou a única novidade”. Milton Cardoso, jornalista de rádio conhecido há décadas por combater a esquerda, agora se apresenta como a “renovação” antipetista não-bolsonarista. Uma terceira via bem espremida entre a cruz e a espada.

Resumo da Ópera: Preparem a pipoca. Até outubro, o Rio Grande do Sul vai presenciar mais milagres de conversão ideológica e abraços em idosos na feira do que qualquer tratado de ciência política seria capaz de prever. Quem viver, verá!

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: Content is protected !!
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore