PICOTANDO A POLÍTICA | Copa Gaúcha Eleitoral, apita o árbitro e começa o show!

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Senhoras e senhores, preparem o chimarrão, ajustem o rádio de pilha e se acomodem na arquibancada, porque finalmente foi dada a largada!

A bola começou a rolar oficialmente hoje.

O pontapé inicial da tão esperada Copa Gaúcha Eleitoral ocorre com as badaladas convenções partidárias. É o momento em que os vestiários se abrem, os uniformes (devidamente engomados e sem manchas, por enquanto) são apresentados e os atletas dão aquela tradicional entrevista coletiva jurando “amor eterno à camisa” — pelo menos até a próxima janela de transferência ou coligação de conveniência.

A expectativa da torcida, como sempre, é de nível europeu. O eleitor gaúcho, exigente por natureza, espera ver em campo uma mistura fina e quase utópica: exige-se dos nossos candidatos a lendária raça dos argentinos — aquela entrega de carrinho na poeira, o coração na ponta da chuteira e o choro dramático ao perder um voto — combinada de forma cirúrgica com a milimétrica organização tática dos espanhóis. Queremos o tiki-taka do debate público, passes precisos de propostas e jogadas ensaiadas de pura eficiência administrativa. Na prática, contudo, o que costumamos assistir está mais para um clássico de várzea sob chuva: caneladas mútuas, empurra-empurra na barreira e reclamações acaloradas com o juiz.

Mas, claro, não podemos falar de futebol profissional sem falar de patrocínio. E quem dita as regras do jogo financeiro é a sempre benevolente “Federação do Fundo Eleitoral”.

Ah, que entidade magnífica!

Conhecida por sua extrema “generosidade”, ela adora incentivar… os que já são ricos. Os poderosos favoritos, aqueles veteranos que já têm cadeira cativa no camarote e o nome impresso na camisa há décadas, recebem cotas de patrocínio dignas de Champions League. Enquanto isso, as revelações da base e os times pequenos tentam jogar descalços, torcendo para que um milagre da física faça a bola chegar ao gol sem verba para o passe. É o famoso “fair play” financeiro ao avesso: ganha mais quem já tem mais espaço no álbum de figurinhas.

O grande perigo para os favoritos dessa temporada, no entanto, é a soberba. O torcedor gaúcho está calejado e não quer ver seu “time” agindo como os franceses na última temporada. Aqueles que entram em campo com o salto alto de quem “já ganhou”, desfilando de peito estufado antes mesmo de o juiz apitar, costumam descobrir da pior maneira que o favoritismo não se sustenta apenas com pose e grife. A história está cheia de seleções galácticas que menosprezaram o adversário, ficaram pelo caminho ainda na fase de grupos e tiveram que voltar para casa de cabeça baixa, assistindo à festa dos outros pela TV.

A temporada é longa, o gramado das redes sociais promete ser pesado e o VAR (a checagem de fatos) estará operando em capacidade máxima. Que vençam os melhores — ou, pelo menos, os que conseguirem correr os noventa minutos sem perder o fôlego e a compostura.

A bola está rolando!

 

 

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