Símbolo das enchentes de 2024, cavalo acolhido pela Ulbra deu nome ao sexto páreo e emocionou público em evento que reuniu cerca de 10 mil pessoas.
O cavalo Caramelo, símbolo de superação das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, foi o grande protagonista de uma tarde de emoção no último sábado (25) no Jockey Club de Porto Alegre. Durante a programação do tradicional Ladies Day, o animal foi homenageado e emprestou seu nome ao sexto páreo da competição, recebendo uma medalha em reconhecimento à sua trajetória que comoveu o Brasil.
O evento, que também contou com a realização do ExpoChurrasco, atraiu um público estimado em 10 mil pessoas. Caramelo, sob os cuidados da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), esteve presente e foi cercado por admiradores que buscavam registrar, em fotos, o animal que se tornou o rosto da resistência gaúcha.

Para Ruy Irigaray, superintendente de Relações Institucionais e Comunicação da Ulbra, a presença do cavalo no Jockey Club vai além do esporte. “Que coisa linda ver o povo aqui batendo foto com esse animal que é símbolo de vitória, de resiliência. Ele é vitorioso. Realmente é um momento muito importante para as pessoas se espelharem, quererem vencer os desafios, e o Caramelo é isso”, afirmou.
O presidente do Jockey Club, Gil Irala, veterinário formado pela Ulbra, expressou sua satisfação pessoal com a homenagem. “Ter o Caramelo aqui, da Ulbra, para mim é um show, um sonho. Agradeço demais, eu sei que é trabalhoso trazer o cavalo, mas todo mundo queria, foi unanimidade. O Caramelo é um símbolo de superação e tinha que estar aqui”, destacou.

O Histórico: um ano de uma imagem que parou o Brasil
À medida que o mês de maio se aproxima, o Rio Grande do Sul completa um ano desde o início da maior catástrofe climática de sua história. Dentro desse cenário de dor, a imagem de Caramelo tornou-se o ponto de virada para a esperança de muitos.
O Isolamento no Telhado (Maio de 2024)
Durante o auge das cheias em Canoas, um dos municípios mais atingidos, as câmeras de helicópteros de reportagem flagraram uma cena angustiante: um cavalo cor de mel, equilibrando-se em cima de um telhado de amianto, cercado por um oceano de água barrenta. Caramelo passou cerca de quatro dias sem comida ou água potável, imóvel para evitar que a estrutura colapsasse.
O Resgate Cinematográfico
No dia 9 de maio de 2024, uma operação complexa foi montada para salvá-lo. Envolvendo o Exército Brasileiro, o Corpo de Bombeiros de São Paulo e veterinários, o resgate exigiu que o animal fosse sedado em cima do telhado para ser transportado com segurança em um bote. A transmissão ao vivo do resgate parou o país, com milhões de pessoas torcendo pelo “cavalo do telhado”.
A Recuperação na Ulbra
Após o resgate, Caramelo foi levado para o Hospital Veterinário da Ulbra, em Canoas. Na época, ele apresentava sinais severos de desidratação e estava abaixo do peso ideal. Na universidade, ele não apenas recuperou a saúde física, ganhando mais de 50 quilos nos meses seguintes, mas também recebeu o carinho de uma rede de voluntários e profissionais.
O Legado de Resiliência
Hoje, prestes a completar um ano do evento que mudou sua vida, Caramelo vive como um “embaixador” da causa animal e da reconstrução do estado. Ele permanece sob a tutela da Ulbra, onde recebe acompanhamento contínuo e participa de eventos que reforçam a importância do trabalho humanitário e da proteção aos animais em situações de desastre.
A homenagem no Jockey Club de Porto Alegre é mais um capítulo na história deste animal que, de um sobrevivente solitário no topo de uma casa, tornou-se o maior símbolo da força do povo gaúcho para se reerguer.

Fotos: Ricardo Rimol / Jockey Club RS








