A temporada de caça ao voto para outubro de 2026 está oficialmente aberta. No vestiário da política de Canoas, o Técnico Eleitor já coça a cabeça. Enquanto isso, os autoproclamados “Carlo Ancelottis” dos bastidores tentam desenhar a tática perfeita na prancheta.
O problema? Nosso jejum de títulos está mais longo que o de muito time grande por aí. Faz anos que a nossa Aldeia não elege um representante de peso — daqueles com certidão de nascimento, título de eleitor e endereço fixo de verdade em solo canoense.
Enquanto a bola não rola, o que vemos é o início da tradicional, anual e cara de pau “Grande Invasão”.
É um fenômeno migratório fascinante:
- Políticos forasteiros (que mal sabem localizar a Mathias Velho no GPS) cruzam a divisa da cidade com o sorriso mais branco do que comercial de pasta de dente.
- Distribuem tapinhas nas costas e abraços calorosos em feiras ecológicas.
- Prometem o céu, a terra, o asfalto e, se bobear, até o mar.
A tática deles é sempre a mesma: pegam o “bicho” da vitória, entucham as malas com os votos canoenses e voltam correndo para suas verdadeiras cidades. No dia seguinte à eleição, evaporam. Canoas fica com a ressaca; eles, com o mandato.
E no meio desse cenário de terra devastada, as calçadas e as redes sociais começam a ser inundadas pelo desespero performático do horário eleitoral. É um coro desafinado de almas penadas gritando em looping:
— “Eu quero seu voto!”
— “Sem seu voto eu não consigo!”
— “Por favor, Me Ajude!”
— “Eu preciso de Você!”
— “Tô em Campanha!”
— “Ahhh, sou candidato!”
É de chorar no cantinho do vestiário.
A Escalação do Campinho: Entre Astros, Figurantes e Iludidos
O mercado da bola está dinâmico, mas os treinos coletivos já mostram a fauna que habita o nosso gramado político. Tem de tudo.
Temos os clássicos “candidatos por interesse” (ou por obrigação). Aqueles que só entraram no jogo para preencher a cota de gênero ou a nominata da legenda. Rezam todas as noites para não serem votados nem pela própria família, só para não terem o trabalho de fazer campanha.
Temos os “Leões de Internet”. Sujeitos que vão fazer meia dúzia de votos (contando o da mãe e o do cunhado — este último sob forte ameaça de divórcio), mas que no Instagram rugem como se fossem os donos da selva. Estão completamente ensurdecidos pelo próprio eco digital.
E, claro, os “Desistentes do VAR”. Figuras que juravam que iam para a “peleia”, mas viram o tamanho do rojão, o orçamento encolher e a água bater na bunda. Preferiram o conforto do banco de reservas definitivo e sumiram de fininho antes mesmo de amarrar as chuteiras.
Para quem sobrou, veja como os “olheiros” avaliam a escalação:
- PSD (Mistério no STJD): Jairo Jorge ainda é o camisa 10 clássico. O nome é forte para a Assembleia Legislativa, mas ninguém sabe se o “departamento médico” (as condições jurídicas de elegibilidade) vai liberá-lo para o jogo ou se ele vai assistir tudo das tribunas.
- MDB (Trombada na Área): Márcio Freitas quer a Assembleia (Estadual) e Gabriel Gonçalves corre pelas pontas para Federal. A dúvida é: vão tabelar bonitinho ou vão se chocar na hora de cabecear?
- UNIÃO BRASIL (O Veterano): Luiz Carlos Busato tenta o pentacampeonato (quinto mandato) para Federal. Conhece cada atalho do campo e sabe exatamente onde a grama é mais macia para cair e cavar uma falta.
- Republicanos (Banco de Luxo): Cassio Silveira e Mossini aquecem na lateral para Estadual. Para Federal, a nominata é pesada: Carlos Gomes, Franciane Bayer e Odirlei Campiol. Na comissão técnica, a veterana Beth Colombo dita o ritmo dos treinos fora das quatro linhas.
- PSDB (Fogo Amigo): Bamberg e Patrício sofrem pressão para jogar em “dobradinha” (Estadual/Federal). Mas a torcida teme que eles disputem a mesma bola no meio-campo e acabem dando uma rasteira involuntária um no outro.
- PT & PV (A Ala Esquerda): Maria Eunice (PT) já calçou as chuteiras para o Legislativo Estadual. No PV, Cris Moraes volta com a camisa da causa animal mirando Brasília.
- Novo (Futebol de Planilha): Rodrigo D’Ávila quer o Estadual jogando com o regulamento debaixo do braço, cheio de gráficos e PowerPoint. Resta saber se a torcida quer slide ou gol de bico.
- PDT (Da Várzea para a Champions): Alexandre Gonçalves, destaque em 2024, tenta dar o salto direto do terrão para a Assembleia Legislativa.
- PL (Ataque Conservador): Camila Nunes e Nilce Bregalda tentam balançar as redes da Assembleia apostando no grito da torcida mais à direita.
- Missão & PSOL (Os Franco-Atiradores): No Missão, Cristiano Ferreira tenta vaga para Federal e Aroldo Medina vai para uma missão quase impossível ao Senado. No PSOL, Rodrigo Cebola joga para a arquibancada mais à esquerda.
- Podemos e Avante: Felipe Martini promete jogo físico e carrinho na linha de fundo e Simone Sabin vem para mais uma partida eleitoral.
O Peso da Camisa: Cadê a Seleção de Ouro?
Para entender a nossa atual “várzea” política, basta olhar a galeria de troféus do passado. Canoas já teve uma seleção que mandava no campeonato gaúcho e nacional:
- 🏛️ No Senado: Paulo Paim.
- 💼 Na Câmara Federal: Jorge Uequed, Ivo Lech, Paulo Paim, Hugo Simões Lagranha, Luiz Carlos Busato e Marco Maia.
- 🏛️ Na Assembleia: Carlos Giacomazzi, Nelsinho Metalúrgico, Ledevino Piccinini, Eligio Meneghetti, Luiz Antônio Possebon, Nedy de Vargas Marques, Francisco Dequi, Jurandir Maciel, Coffy Rodrigues e Sezefredo Azambuja Vieira.
Hoje? Temos uma pulverização caótica de 11 partidos diferentes na Câmara de Vereadores. O risco de a bola ir parar na arquibancada e ninguém atingir o quociente eleitoral é gigantesco. Como diz o velho ditado dos gramados: “o céu é o limite, mas o chão é o destino de muitos”.
Até outubro de 2026, muita água vai passar sob as pontes do Rio Gravataí (e muita canelada por trás vai acontecer nos bastidores).
Mas o torcedor — ops, o eleitor — precisa acordar antes do apito final. Continuar entregando votos para quem só lembra que Canoas existe no mapa de navegação de campanha é assinar o rebaixamento definitivo da cidade para a irrelevância política.
A partida começou. Os “leões” de internet já estão rugindo e os forasteiros já estão abrindo os braços para o abraço.
E você? Vai aceitar esse drible ou está pronto para cobrar esse escanteio?








