EM CIMA DO FATO | Ulbra reúne autoridades nacionais em fórum histórico para debater reconstrução e resiliência climática

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Em um momento em que o Rio Grande do Sul ainda cicatriza as feridas deixadas pelos recentes e sem precedentes desafios climáticos, a gestão pública e a ciência se encontram para traçar um novo futuro. Acontece neste exato momento, no campus da Ulbra Canoas, o Fórum Ulbra 497 — Resiliência com Experiência, um evento que transforma o luto e a destruição em aprendizado estratégico para proteger as próximas gerações.

Promovido pela Ulbra, em parceria com o ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade) e o Portal 497, o encontro lota o auditório do prédio 59 nesta tarde de segunda-feira (14 de setembro). O objetivo é claro e urgente: conectar prefeitos, secretários, equipes técnicas e forças de segurança às principais autoridades do país em prevenção, gestão de crises e reconstrução resiliente.

A reportagem acompanha de perto os desdobramentos deste encontro, que já nasce com caráter histórico ao aproximar quem estuda os eventos climáticos extremos de quem, na prática, precisa enfrentá-los na linha de frente das cidades.

O Protagonismo da Academia e a Prevenção do Futuro

O evento foi oficialmente aberto às 14h15, seguido pela importante assinatura do Termo de Cooperação entre a ULBRA e o ICLEI. O clima no local é de profundo senso de responsabilidade. Mais do que debater o passado, o foco das autoridades está na construção de um legado de segurança para o amanhã.

O presidente da Ulbra, Carlos Melke Filho, destacou em sua fala a urgência de agir agora para evitar a repetição de tragédias, lembrando os duros golpes sofridos pelo estado recentemente:

“É uma iniciativa de construção da resiliência frente aos problemas tormentosos pelos quais já passamos em 2024. Vários municípios no Brasil ainda irão passar por isso se não nos juntarmos para fazer exatamente esta construção: baseada naquilo que já vivemos, nos resultados do que enfrentamos e nas necessidades que projetarmos para o futuro. Tudo para não passarmos por isso novamente, ou que passemos com muito menos impacto e prejuízos às vidas e aos profissionais.”

Melke também ressaltou o papel social da universidade: “Eu diria que essa é uma iniciativa muito importante da universidade, na qual ela pode, realmente, fazer a diferença dentro da sua comunidade.” Ele aproveitou para agradecer aos envolvidos, com destaque especial ao superintendente Jairo Jorge, idealizador da iniciativa.

A visão sobre o papel transformador da educação na gestão de desastres foi reforçada por Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo do ICLEI América do Sul. Para ele, o evento marca o início de um processo contínuo de capacitação e escuta qualificada:

“A importância é do resgate exatamente desse protagonismo de uma instituição de ensino. A vocação no acolhimento, a vocação num ensino voltado à sua comunidade. É trazer realmente os especialistas das áreas específicas que já passaram, que sabem como passar e como delinear um planejamento a fim de dar continuidade e evitar, no futuro, os prejuízos que nós já tivemos. Aqui inicia-se um projeto de capacitação voltado para aquilo tudo que nós estamos aqui trazendo.”

Ciência e Gestão: o desafio da resiliência

A primeira mesa da tarde, intitulada “O Desafio da Resiliência”, colocou lado a lado nomes de peso na ciência climática e na segurança pública. A integração entre a meteorologista Estael Sias (MetSul), Osvaldo Luiz Leal de Moraes (Diretor de Clima e Sustentabilidade do MCTI), o próprio Rodrigo Perpétuo (ICLEI) e o Coronel PM Luciano Chaves Boeira (Chefe da Defesa Civil do RS) evidenciou que não há mais espaço para amadorismo na gestão pública. Respostas baseadas em ciência e articulação institucional são, hoje, a única via possível.

O Aprendizado da Dor: 5 Cidades, 5 Lições de Reconstrução

Neste momento, a expectativa do público se volta para a segunda mesa do dia, “Experiências de Reconstrução”. O painel é uma verdadeira imersão na gestão pós-crise, trazendo representantes de cinco municípios brasileiros cujas histórias foram marcadas por tragédias profundas: Blumenau/SC (enchentes de 2008), Petrópolis/RJ (chuvas e deslizamentos de 2022), Recife/PE (eventos climáticos de 2022), Mariana/MG (rompimento da barragem em 2015) e Brumadinho/MG (desastre de 2019).

Jairo Jorge, superintendente de Relações Governamentais e Cidades da Ulbra, resumiu com precisão o valor inestimável dessa troca de vivências para os prefeitos e gestores gaúchos presentes:

“Hoje, estamos reunidos para duas mesas de discussão fundamentais. A segunda mesa focará em experiências de reconstrução, analisando casos de cinco cidades brasileiras que enfrentaram eventos extremos. Essas cinco cidades possuem histórias distintas, mas o aprendizado e as lições que podemos extrair delas são inestimáveis. Tenho certeza de que, através da curadoria realizada pelo ICLEI, poderemos acompanhar e aprender muito com a experiência desses municípios.”

Um legado para as futuras gerações

O que se observa nos corredores e no auditório do Fórum Ulbra 497 é a consolidação de uma nova mentalidade. A reconstrução do Rio Grande do Sul não se dará apenas com tijolos e cimento, mas com planejamento urbano atualizado, respeito rigoroso ao meio ambiente, fortalecimento da Defesa Civil e, acima de tudo, resiliência.

Ao aproximar a academia dos tomadores de decisão e trazer a vivência dolorosa — porém de grande aprendizado — de cidades como Brumadinho e Petrópolis. O Fórum deixa claro que preparar o estado para os desafios climáticos não é apenas uma necessidade do presente, mas o maior e mais importante legado que se pode deixar para a segurança e a vida das futuras gerações.

O evento segue até as 18h, mas suas conclusões já começam a moldar as políticas públicas que defenderão o Rio Grande do Sul das tempestades de amanhã.

Programação Oficial

14h15 — Abertura Oficial, com Sr. Carlos Melke Filho

14h30 — Assinatura do Termo de Cooperação (ULBRA e ICLEI)

14h35 — Mesa 01: O Desafio da Resiliência

  • Osvaldo Luiz Leal de Moraes, diretor de Clima e Sustentabilidade do MCTI, doutor em Física (UFRGS) e líder em comitês de risco de desastres na OMM e ONU.
  • Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo do ICLEI América do Sul, doutor em Ciência Ambiental (USP) e especialista em governança climática urbana.
  • Estael Sias, meteorologista (MetSul), especialista em alerta de tempo severo e ex-integrante da Defesa Civil de SP.
  • Coronel PM Luciano Chaves Boeira, Chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil do RS, especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública.

16h00 — Mesa 02: Experiências de Reconstrução: Blumenau, Petrópolis, Recife, Mariana e Brumadinho.

  • Coronel BM Carlos Olímpio Menestrina, Secretário de Defesa Civil de Blumenau/SC, com ampla atuação no comando de operações de enfrentamento a grandes desastres.
  • Ten.-Cel. BM Guilherme Costa de Souza Moraes, Secretário de Defesa Civil de Petrópolis/RJ, especialista em gestão estratégica e operações de risco (SEDEC/UFRJ/FGV).
  • Rachel Morais de Oliveira, Coordenadora Geral do ProMorar Recife, engenheira civil à frente de projetos de infraestrutura resiliente junto ao BID.
  • Alexandra Andrade Gonçalves Costa, Coordenadora do Departamento Administrativo da Secretaria do Meio Ambiente de Brumadinho/MG, especialista em Recursos Hídricos e liderança na Avabrum.
  • Carla Fernanda de Araújo, Secretária de Meio Ambiente de Mariana/MG, advogada com mais de 20 anos em Direito Ambiental e governança territorial pós-crise.

18h00 — Encerramento

 

 

 

 

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