A Prefeitura de Canoas, por meio da Diretoria da Família e Juventude da Secretaria Municipal da Mulher, Cidadania e Inclusão (SMMCI), promoveu, na quarta-feira (10), a ação “Semeando Esperança”, no ParkShopping Canoas. Realizada das 10h às 14h, a iniciativa integrou as atividades alusivas ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e orientou a população sobre sinais de sofrimento psíquico e formas de buscar ajuda.
Durante a ação, foram distribuídos materiais informativos acompanhados da fita amarela, símbolo do Setembro Amarelo. Os conteúdos apresentaram orientações para a identificação de sinais de sofrimento psíquico, cuidados com a saúde mental e informações sobre os serviços disponíveis na rede pública, incluindo contatos e endereços dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) de Canoas.
A URGÊNCIA DO TEMA | Uma realidade silenciosa e crescente
A iniciativa em Canoas ganha contornos ainda mais críticos quando analisamos o cenário nacional. O suicídio, por muito tempo tratado como tabu, é hoje reconhecido como um grave e crescente problema de saúde pública no Brasil. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde, enquanto as taxas globais de suicídio tendem a apresentar quedas ou estabilidade, o Brasil vai na contramão dessa tendência, registrando aumentos constantes ao longo das últimas décadas.
Historicamente, o Brasil saltou de pouco mais de 9.400 mortes por suicídio em 2010 para mais de 15.500 casos em anos recentes (segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde em 2021/2024), o que representa uma média preocupante de cerca de 42 suicídios por dia. Apenas entre 2010 e 2019, houve um aumento de 43% no número anual de mortes. Estudos recentes apontam que esse crescimento tem sido ainda mais acentuado entre os jovens, além do impacto contínuo entre idosos e populações específicas.
Para cada suicídio consumado, estima-se que existam entre 20 e 25 tentativas. Portanto, os números de mortalidade são apenas a ponta do iceberg de um sofrimento psíquico generalizado que atinge milhões de brasileiros.
AS RAÍZES DO PROBLEMA
O suicídio é um fenômeno multifatorial. Não existe uma única causa, mas sim uma complexa combinação de elementos que leva uma pessoa a um estado de desespero e ausência de esperança.
De acordo com o Ministério da Saúde e especialistas na área de saúde mental, os principais fatores e causas que contribuem para o aumento do risco e dos índices incluem:
Transtornos Mentais: Aproximadamente 90% dos casos estão associados a transtornos mentais, muitas vezes não diagnosticados ou tratados incorretamente. Depressão, transtorno bipolar e abuso de álcool e outras drogas figuram entre os principais, reforçando a necessidade de ampliação das redes de atenção psicossocial.
Fatores Sociais e Econômicos: A instabilidade econômica, o desemprego, a fragilidade das relações sociais contemporâneas e a diminuição das redes de apoio familiar e comunitário criam um terreno fértil para o isolamento e o adoecimento mental.
Pressões Contemporâneas: Especialmente entre os jovens, a falta de perspectivas de futuro sólidas, o bullying, o isolamento agravado pela superficialidade das relações no ambiente digital e a falta de espaços seguros para expressar vulnerabilidades são fatores de forte impacto.
Barreiras ao Acesso à Saúde: Apesar do esforço de iniciativas locais, ainda há uma enorme dificuldade estrutural para que parte significativa da população acesse de forma rápida e contínua os serviços de saúde mental e de acolhimento emergencial, como leitos psiquiátricos.
A Importância do acolhimento e da informação
É exatamente nesse contexto de crescimento alarmante que ações como a de Canoas se mostram vitais. A secretária municipal da Mulher, Cidadania e Inclusão de Canoas, Gislaini Zottis, destacou a importância de ampliar o acesso da população às informações e aos serviços de apoio.
“O Setembro Amarelo nos lembra que toda vida importa. É um momento para reforçarmos a importância de ouvir, acolher e estar presente para quem precisa. Muitas vezes, uma simples conversa pode fazer toda a diferença. Por isso, não ignore os sinais e não tenha receio de solicitar ajuda. Cuidar da saúde emocional é também cuidar da vida”, afirma a secretária.
Gislaini também ressaltou a atuação integrada das secretarias municipais na divulgação das informações. “A nossa Secretaria, junto com a Secretaria Municipal da Saúde, entende a importância fundamental da divulgação deste informativo. Queremos que as pessoas consigam identificar quando alguém próximo precisa de apoio e que percebam que a ajuda pode estar mais perto do que imaginam. É um gesto para dizer: ‘você não está sozinho, estamos com você’”, completa.
Além dos serviços da rede municipal, o material divulgado durante a ação informou sobre o atendimento gratuito e 24 horas oferecido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188. O CVV realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo de forma voluntária e sigilosa todas as pessoas que querem e precisam conversar.
Reconhecer que o suicídio é uma realidade crescente no Brasil é o primeiro passo para combatê-lo. Desfazer o estigma, investir em saúde pública e promover ações contínuas de conscientização – não apenas em setembro, mas o ano todo – são medidas urgentes para reverter esses números e semear, de fato, a esperança.








