PICOTANDO A POLÍTICA | Cabelo em pé, candidato fantasma e a Guerra das Esporas em Canoas

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Por Piazotti da Barra do Quaraí

Se a política local fosse um roteiro de cinema, o espectador diria que os roteiristas estão exagerando no drama e na comédia pastelão. Entre candidaturas “fantasmas”, divórcios partidários expressos e pesquisas que parecem pesadelos em película de celuloide, o cenário político atual anda mais movimentado do que fila de banco em dia de pagamento.

Vamos aos picados da política — com aquela pitada de pimenta que o estômago do eleitor já aprendeu a digerir.

A nova Batalha Farroupilha: laços, esporas e votos em Canoas

Se Bento Gonçalves visse a nova revolução ideológica que estourou na Câmara de Canoas, provavelmente trocaria o cavalo por um calmante de tarja preta. O vereador Cris Moraes (PV) resolveu laçar o tradicionalismo gaúcho de frente ao protocolar um projeto de lei que proíbe rodeios, gineteadas, tiros de laço e qualquer prova que faça o bicho correr contra a própria vontade. Sob o lema de que “cultura não promove tortura”, ele mirou direto no coração do churrasco e do lenço vermelho.

Do outro lado do piquete, o vereador Dario Silveira (União Brasil) não apenas bateu o pé, mas sacou a sua adaga retórica favorita: acusou o colega de ser “infeliz e oportunista”, lembrando — com aquela malícia doce da política — que Cris é pré-candidato a deputado federal. Afinal, que surpresa chocante ver um político levantando bandeiras populares em ano de pré-campanha, não é mesmo?

Para Dario, o que está em jogo são a Cultura Tradicionalista enraizada em nossos costumes e os R$ 2 bilhões que os rodeios injetam no PIB do Estado. Ou seja, se o boi ou o cavalo sofrem algum estresse, o importante é que eles sofrem gerando nota fiscal e movimentando o comércio local. O parlamentar ainda garantiu que os eventos contam com responsável técnico e ambulância. É reconfortante saber que o gado, antes de levar um tranco no pescoço pelo laço, tem direito a atendimento médico de urgência de dar inveja a muito canoense que sofre na fila do SUS. A peleia promete mobilização social e gritaria, provando que, no Rio Grande, até para falar de carinho em bicho a faca rasga o ponche.

MDB e Schirmer: DR com direito a despejo

No MDB, a tradicional “bancada do deixa disso” falhou miseravelmente. Cezar Schirmer resolveu fazer um bico como conselheiro de campanha de Luciano Zucco (PL). O problema? O seu próprio partido, o MDB, tem Gabriel Souza na disputa direta.

A executiva emedebista, que de boba não tem nada, aplicou um “afastamento preventivo” no veterano. Schirmer, sentindo o golpe, correu para a narrativa do “eu que quis me demitir”, aproveitando para disparar que o MDB virou uma “sigla de ocasião”. Ora, descobrir que o MDB calcula seus passos por conveniência e ocasião é o equivalente político a descobrir que a água é molhada. Uma bela DR pública para animar os bastidores.

O “Candidato Fantasma” da Federasul

Debates empresariais costumam ser eventos polidos, cheios de termos técnicos e sorrisos ensaiados. Mas a Federasul virou palco para um clássico jogo de esconde-esconde. O deputado Luciano Zucco (PL) resolveu que Brasília era um destino muito mais urgente e seguro do que enfrentar os microfones locais.

A ausência, claro, virou o alvo preferencial da tarde. Gabriel Souza não perdeu a chance de mandar um recado sobre “coragem” — ironicamente vindo de quem acabou de suspender um colega de partido. Já Marcelo Maranata (PSDB) elevou o nível do sarcasmo ao apelidar Zucco de “candidato-ghost” e sugerir deixar a cadeira vazia no palco para ver se o espírito do parlamentar baixava por ali. Zucco fugiu do debate, mas não conseguiu fugir das piadas.

Farpas, flores e socos amortecidos

Para quem efetivamente apareceu na Federasul, o clima foi de tiroteio com silenciador. Gabriel Souza, Juliana Brizola e Marcelo Maranata tentaram manter a compostura exigida pela plateia de terno e gravata, mas as alfinetadas escaparam.

  • A tática do espantalho: Gabriel tentou colar o carimbo do “Lula” em Juliana Brizola a qualquer custo. A pedetista, calejada, sacou a carteirinha de identidade partidária: “Sou filiada há 35 anos”. Em tradução livre: “Menino, eu já estava aqui antes de você aprender a registrar CNPJ de partido”.
  • O jogo da culpa das águas: Quando cobrado por Maranata sobre os atrasos nas obras de prevenção às cheias, Gabriel Souza culpou a “democracia” — ou seja, a burocracia dos projetos e licitações. É a velha máxima: a culpa é minha, mas eu coloco em quem eu quiser (no caso, nos trâmites legais).

No fim das contas, a plateia de empresários aplaudiu a tecnicidade de Gabriel e a surpresa simpática de Juliana. Mas o verdadeiro vencedor do debate foi o silêncio obsequioso da cadeira vazia de Zucco, que, mesmo sem dizer uma única palavra, conseguiu ser o assunto mais comentado da tarde.

Cabelo em pé em Canoas!

Tem projeto de lei fresquinho prometendo tirar o sono — e talvez alguns fios de cabelo — de muita gente na política de Canoas. O vereador Leandro Luiz Moreira (PRD) protocolou o PL nº 000069/2026, que quer instituir o exame toxicológico de larga janela de detecção na administração municipal.

A regra desenhada é cirúrgica:

  • Para os CCs (Cargos de Confiança): O teste é barreira de entrada. Deu positivo? Nem assume o crachá.
  • Para o Primeiro Escalão (Prefeito, Vice e Vereadores): O compromisso é anual. Como o voto popular é sagrado, o teste positivo não cassa o mandato de imediato, mas joga o resultado direto no ventilador da Comissão de Ética.

O detalhe mais saboroso? Nada de pendurar a conta no bolso do contribuinte! Cada agente público terá que pagar o próprio exame de queratina (aquele que vasculha o histórico dos últimos 90 dias) do próprio bolso.

Agora a pergunta que não quer calar nos corredores da Câmara: vai ter surto de cabeça raspada ou uso repentino de perucas por aí? Façam suas apostas, porque o clima em Canoas promete ficar puríssimo — ou não!

A campanha mal começou, e o picador de papel da política gaúcha já está trabalhando em três turnos. Haja estômago e haja ironia.

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