PICOTANDO A POLÍTICA | Cronômetro eleitoral, quem manda na TV e quem corre contra o tempo

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A dose diária de acidez sobre quem manda (ou tenta mandar) no seu voto.

Se você achava que o horário eleitoral gratuito já era um teste de paciência, prepare o estoque de café. O deputado federal Luciano Zucco (PL) abocanhou quase metade do tempo de rádio e TV na disputa pelo Piratini. São exatos 4 minutos e 25 segundos.

  • Haja roteiro: Com tanto tempo assim, Zucco não precisa apenas apresentar propostas. Ele pode:
    1. Ensinar uma receita de sagu com creme ao vivo.
    2. Ler a trilogia de O Tempo e o Vento em capítulos diários.
    3. Explicar como o PL se vende como “antissistema” enquanto usa o maior naco de dinheiro público e tempo de TV garantidos pelo próprio sistema.
  • A “Sopa de Letrinhas” de Juliana: Para tentar morder meros 2 minutos e 21 segundos, Juliana Brizola teve que juntar uma frente que vai do PDT ao Avante, passando por PT, PSOL e Rede. É tanta gente ideologicamente distante no mesmo barco que o programa eleitoral vai parecer uma reunião de condomínio nas vésperas do Ano Novo. Boa sorte para explicar quem apoia quem sem dar nó na cabeça do eleitor.
  • O “Voo de Varig” do Gabriel: Quem diria que o MDB, outrora gigante dos latifúndios eletrônicos, veria o atual vice-governador Gabriel Souza mendigar 1 minuto e 46 segundos. Com apenas quatro partidos na coligação — uma herança bem magra se comparada à megacoligação que elegeu Eduardo Leite —, Gabriel vai ter que defender o “legado” do governo atual em ritmo de vídeo acelerado do TikTok. Piscou, o tempo acabou e ele nem começou a falar das estradas.
  • O comercial “Jequiti” de Maranata: Mas o verdadeiro teste de carisma (e velocidade) ficou com Marcelo Maranata (PSDB). Herdar a legenda do governador e levar apenas 31 segundos de TV é quase um desaforo partidário. Com apenas um comercial por bloco, a campanha de Maranata vai parecer aqueles flashes da Jequiti no SBT: se você piscar para coçar o olho, perdeu a participação dele no horário eleitoral. É tempo apenas de dizer o nome, o número e pedir desculpas pela pressa.
  • O deserto de Rejane: Enquanto Zucco monta um estúdio padrão Hollywood, Rejane Oliveira (PSTU) ficou com impressionantes zero segundos graças à cláusula de barreira. Rejane terá que pregar a revolução proletária no gogó, de megafone na Esquina Democrática, enquanto a TV exibe comerciais em alta definição dos concorrentes. A democracia do cronômetro é implacável!

SENADO GAÚCHO: O DUELO DOS DECIBÉIS

Na briga pelas duas vagas ao Senado, a dupla Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) levou a melhor no latifúndio eletrônico: 3 minutos e 26 segundos.

Preparem os protetores auriculares. Juntar o pragmatismo ultraliberal de Van Hattem com o bolsonarismo raiz de Sanderson em quase metade do tempo do Senado promete ser um festival de “defesa da liberdade”, “fim dos privilégios” e dedos apontados. Do outro lado, Manuela d’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) terão apenas 1 minuto e 49 segundos para tentar contra-atacar. Vai ser uma disputa de velocidade verbal digna de leiloeiro.

CAIADO & KASSAB: A CHAPA DO “EU SOZINHO” (OU “COM O DONO DO DONO DO PODER”)

Na corrida presidencial, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), resolveu radicalizar no conceito de “chapa pura” e anunciou Gilberto Kassab, o presidente nacional do seu próprio partido, como vice.

  • O verdadeiro pragmatismo: Kassab, conhecido por ser a encarnação viva do Centrão — aquele que nunca é oposição, apenas “governo em transição” —, agora é oficialmente vice. Dizem os bastidores que o slogan da chapa será: “Ganhando ou perdendo, Kassab já está no ministério”.
  • Caiado no espelho: Sem o apoio formal de outras grandes siglas e após ver a tentativa de fusão com Romeu Zema (Novo) naufragar feito o Titanic, Caiado resolveu olhar para o lado, ver o presidente do partido e dizer: “Vai tu mesmo, Gilberto”. É a unificação do PSD por W.O.

PESQUISAS | QUANDO O 5% VIRA “FESTA DA VITÓRIA”

A pesquisa BTG/Nexus traz números que mostram que a eleição nacional de 2026 continua polarizada no “andar de cima”, mas o “andar de baixo” segue fazendo festa com guaraná morno:

  • Lula (42%) e Flávio Bolsonaro (34%) lideram isolados no primeiro turno.
  • E onde está o nosso herói goiano? Caiado aparece com pujantes 5%, tecnicamente empatado com Renan Santos (4%) e Zema (3%).
  • Anunciar um vice de peso nacional com 5% de intenções de voto é o equivalente político a contratar um DJ internacional para uma festa de aniversário que só tem três primos e a sua tia na sala. O otimismo é a última barreira antes do realismo!

 

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