A cada dois anos, a grande família da política brasileira se reúne para o seu evento mais aguardado. Não é Natal, nem Ano Novo, mas a ceia é farta, regada a um orçamento que ostenta algarismos suficientes para perder o fôlego. Nas duas pontas da mesa principal — uma reservada para quem vai morar na capital do Estado, a outra para quem pega a ponte aérea rumo a Brasília —, a dinâmica familiar se repete com uma precisão matemática e cruel.

É a clássica e imutável saga do Primo Rico e do Primo Pobre.
Você conhece o Primo Rico? Toda família tem um. Ele é aquele que já chega na festa com o carro do ano, o sorriso treinado e a promessa de que o sucesso é apenas uma questão de “mindset” ou de esforço pessoal. Na grande família das federações e agremiações partidárias, o Primo Rico é o afilhado predileto dos caciques. Quando o patriarca da sigla abre o cofre da herança — aquele fundo bilionário pago com o suor de todos nós —, é para a conta do Primo Rico que voam os milhões. O teto de gastos não é um limite para ele, é uma meta.
As planilhas não mentem, embora escondam o rubor da vergonha. Enquanto o Primo Rico recebe fatias milionárias para garantir sua cadeira cativa, seja na Assembleia ou na Câmara, a estratégia da família para ele é clara: investimento pesado, blindagem e garantia de manutenção do poder. Afinal, ele é o “puxador”, o orgulho da casa, aquele que garante que a família não perca seu status e sobreviva à temida cláusula de barreira, aquela regra que ameaça rebaixar os parentes menos abastados.
E então, num banquinho no canto da sala, com um prato de salgadinhos frios, está o Primo Pobre.
O Primo Pobre foi convidado para a festa com um propósito muito específico: fazer volume. Ele recebe tapinhas nas costas e discursos inflamados sobre “renovação” e “oportunidade”. Mas, na hora em que o dinheiro é distribuído, a ele sobram as migalhas. Alguns milhares de reais, às vezes apenas material impresso e a ilusão de que, caminhando sob o sol quente, apertando mãos na feira, ele poderá, um dia, sentar-se à cabeceira da mesa.
As agremiações chamam isso de “pulverização de recursos”.
Na prática, é dar ao Primo Pobre o suficiente apenas para que ele consiga os poucos votos necessários para ajudar a eleger… o Primo Rico. É o paradoxo perfeito da desigualdade financeira travestida de democracia interna. O sistema sussurra no ouvido do Primo Pobre que qualquer um pode chegar lá, que basta se esforçar para se tornar o próximo “sucesso da família”. Mas a corrida já começa com um de Ferrari e o outro de chinelos.
Nos relatórios de investimentos das siglas, as disparidades gritam. Há quem receba quantias que beiram o limite legal, somando milhões em uma única candidatura, enquanto dezenas de outros membros da mesma “família” dividem um montante que não pagaria sequer a equipe de marketing do favorito.
No final do domingo de eleição, quando as urnas fecham e a ceia termina, a foto da família é tirada. O Primo Rico sorri, reeleito, brindando com os patriarcas à manutenção do império. O Primo Pobre volta para casa exausto, consolado pela ilusão de que “na próxima vez será diferente”.
Mas não será.
Porque, na contabilidade fria do poderio econômico, a herança já tem dono, e o afilhado predileto nunca divide o prato principal.
LISTA DOS CANDIDATOS DE CANOAS (Eleições 2026)
Antes de escolher, pesquise o histórico e as propostas reais de cada nome.
| Candidato(a) | Cargo Pretendido | Partido |
| Alexandre Gonçalves | Deputado Estadual | PDT |
| Alini Artioli | Deputada Federal | Novo |
| Ana Cláudia | Deputada Federal | União Brasil |
| Camila Nunes | Deputada Estadual | PL |
| Carlos Gomes | Deputado Federal | Republicanos |
| Cassio Silveira | Deputado Estadual | Republicanos |
| Cezar Mossini | Deputado Federal | Republicanos |
| Cris Ferreira | Deputado Federal | Missão |
| Cris Moraes | Deputado Federal | PV |
| Eric Douglas | Deputado Estadual | União Brasil |
| Franciane Bayer | Deputada Federal | Republicanos |
| Gabriel Gonçalves | Deputado Federal | MDB |
| Graziela Mauer | Deputada Estadual | Republicanos |
| Iverá | Deputada Estadual | PSOL |
| Jurandir Maciel | Deputado Federal | Republicanos |
| Larissa Rodrigues | Deputada Estadual | PL |
| Luis Afonso | Deputado Estadual | PSDB |
| Luiz Carlos Busato | Deputado Federal | União Brasil |
| Márcio Freitas | Deputado Estadual | MDB |
| Maria Eunice | Deputada Estadual | PT |
| Naligia Raquel | Deputada Federal | PSD |
| Neuza Ruffato | Deputada Estadual | PSD |
| Nilce Bregalda Schneider | Deputada Estadual | PL |
| Odirlei Campiol | Deputado Federal | Republicanos |
| Pr. Moisés | Deputado Estadual | Republicanos |
| Pr. Oseas | Deputado Estadual | Republicanos |
| Raquel Alves (de Iansã) | Deputada Estadual | PSB |
| Rodrigo Cebola | Deputado Federal | PSOL |
| Rodrigo D’Ávila | Deputado Estadual | Novo |
| Silvia Helena | Deputada Federal | Podemos |
| Thiago Costa | Deputado Estadual | Cidadania |
| Vinícius Conejo | Deputado Federal | Podemos |









Uma Resposta
Eu adoraria saber quanto cada candidato de Canoas ganhou do fundo para a campanha