PICOTANDO A POLÍTICA | O vale-tudo do Pampa Digital: curtidas, cachorros e a chibata do TSE

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A televisão e o rádio ainda nem ligaram os microfones oficiais, mas nos pampas da internet a peleia já começou. Sem o tempo cronometrado do horário eleitoral, os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul transformaram o Instagram, o Facebook e o TikTok nos novos CTGs da política. A meta é transformar “like” em voto e “hater” em cabo eleitoral. Mas, no faroeste dos algoritmos, o xerife atende por Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — e ele está com a caneta nervosa.

O cenário atual é uma comédia de costumes. De um lado, marqueteiros suando frio para fazer político parecer “gente como a gente”; do outro, os advogados com calmantes na gaveta, rezando para ninguém cometer um crime eleitoral em uma live de domingo à noite.

Vejamos o caso de Gabriel Souza (MDB)

Segundo as pesquisas, 73% dos gaúchos olhariam para ele na fila do Zaffari e diriam: “Conheço esse moço de algum lugar?”. Para curar a invisibilidade, Gabriel apelou para o golpe mais baixo (e fofo) da internet: o pet. A estrela da campanha promete ser Bibiana Terra, a cadela da família. Além disso, o vice de Eduardo Leite quer colar no governador para mostrar que é a “mudança segura”.

O perigo jurídico: Gabriel precisa cuidar para que a fofa Bibiana não acabe latindo propaganda irregular. A Justiça Eleitoral proíbe o impulsionamento de conteúdo que traga ataques a adversários. Se a cadela morder a canela da oposição com verba de impulsionamento (Art. 57-C da Lei das Eleições), a multa varia de R$ 5 mil a R$ 30 mil. E não adianta colocar a culpa no cachorro!

Juliana Brizola (PDT) decidiu abraçar o saudosismo cibernético.

A estratégia foca forte no Facebook — sim, aquela rede onde sua tia manda imagem de “Bom Dia” com glitter. Faz sentido: é lá que mora o eleitorado que ainda se arrepia ao ouvir o nome de Leonel Brizola. Para modernizar, ela foi a Brasília gravar com o presidente Lula. É o combo: herança genética com recall presidencial.

O perigo jurídico: Ao tentar “bombar” nas redes com discursos do presidente, a campanha precisa fugir da tentação das Deepfakes e da Inteligência Artificial não sinalizada. O TSE baixou a portaria este ano: usar IA para alterar voz ou imagem sem o aviso de “conteúdo sintético” gera cassação imediata do registro ou do mandato. Nada de criar um holograma do avô Brizola abraçando o Lula com IA, hein, equipe?

Do lado direito do espectro, Luciano Zucco (PL) vive um dilema shakespeariano.

Ele é o rei do engajamento, com 10 vezes mais seguidores que os rivais, construídos na base do confronto nacional. Mas, para governar o RS, não dá para ser só o “deputado brabão”. A estratégia agora é a fofura campeira. Zucco quer mostrar sua raiz em Alegrete, tomar um mate e provar que é um “cara divertido”. A transição do fuzil para a cuia de chimarrão é a grande acrobacia da eleição.

O perigo jurídico: A desinformação (as famosas Fake News). O eleitorado raiz de Zucco adora um meme ácido contra a esquerda, mas o TSE criminalizou a propagação de mentiras que atinjam a integridade do processo eleitoral ou de adversários. O ambiente digital do PL precisa maneirar nos “encaminhados com frequência” no WhatsApp. Discurso de ódio e calúnia nas redes não dão só direito de resposta; dão multa pesada, remoção imediata da conta e podem configurar abuso de poder de comunicação, levando à inelegibilidade. Sorria, Zucco, mas com fatos verificados.

Por fim, Marcelo Maranata (PSDB), o “TikToker das enchentes”

Com míseros 31 segundos de TV, ele vai ter que falar na velocidade 2.0x do WhatsApp se quiser usar a televisão. A saída? Morar na internet. Ex-prefeito de Guaíba aprovadíssimo, pastor e varejista, Maranata vai fazer a linha “TikToker das enchentes”. A ideia é entrar na casa das pessoas, com estética pop, falando grosso e vendendo soluções como quem vende geladeira em promoção no fim de semana.

O perigo jurídico: O excesso de “soluções de vida real” não pode cruzar a linha do assistencialismo digital. Mostrar-se resolvendo problemas de moradores afetados pelas enchentes é lindo, mas prometer bens, vantagens ou fazer caridade filmada para pedir voto configura Captação Ilícita de Sufrágio (a boa e velha compra de votos).

No fim das contas, a eleição nas redes do RS vai ser um espetáculo à parte. Entre dancinhas, cachorros, chimarrões forçados e vídeos coloridos, os candidatos vão tentar fisgar nossa atenção. A nós, eleitores, resta preparar a pipoca.

E aos candidatos, um conselho de ouro: antes de apertar “publicar”, mostrem para o advogado. O dedo nervoso no botão de Post é o caminho mais curto para a guilhotina do Tribunal Superior Eleitoral.

Uma Resposta

  1. Cada vez mais a política vai se decidir nos Tribunais; não por uma “Ditadura da Toga”, mas pela sistemática falta de obediência às leis.

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