O cenário desenhado para 2026 no Rio Grande do Sul, como bem aponta o texto base, é de uma colisão de gigantes. De um lado, o peso da máquina e da gestão de Gabriel Souza (MDB); de outro, a força ideológica de Luciano Zucco (PL) e o resgate do brizolismo lulista com Juliana Brizola (PDT). Nesse tabuleiro de “placas tectônicas”, onde sobram Marcelo Maranata (PSDB), Rejane de Oliveira (PSTU) e Priscila Voigt (União Popular).
Para esses candidatos, a eleição não é apenas sobre chegar ao Piratini, mas sobre sobrevivência política, demarcação de território e, em alguns casos, o papel de “fiel da balança” em um eventual segundo turno.
Marcelo Maranata (PSDB): A busca pela “Quarta Via” e o espólio de Leite
Marcelo Maranata, prefeito de Guaíba, entra no jogo com o desafio de provar que o PSDB ainda respira sem o oxigênio direto de Eduardo Leite, caso este migre para o PSD ou foque no plano nacional. Maranata deve apostar no “modelo Guaíba” de gestão. Sua estratégia será a de se apresentar como um gestor eficiente e realizador, tentando atrair o eleitor que aprova o estilo de Leite, mas que vê em Gabriel Souza um perfil técnico demais ou “morno”. Ele tentará ser a face “humanizada” e pragmática do centro-direita. Se conseguir se desvencilhar da polarização nacional, pode crescer como o candidato do “interior que dá certo”, buscando votos na Região Metropolitana e no eleitorado órfão do tucanato original.
Rejane de Oliveira (PSTU): A voz da resistência classista
Rejane é uma figura carimbada nas lutas sindicais, especialmente no CPERS. Para ela, a eleição é uma tribuna de denúncia. Enquanto Juliana Brizola e o PT buscam uma frente ampla e moderada para vencer a direita, Rejane deve atacar justamente essa “conciliação”. Sua estratégia será a polarização à esquerda, focando na base dos servidores públicos e na crítica severa às privatizações (como a da CORSAN) e ao regime de recuperação fiscal. O objetivo não é o governo, mas a conscientização e a manutenção de uma base radicalizada que se sente traída pelo pragmatismo do Lulismo.
Priscila Voigt (UP): Ocupando as brechas da juventude e do déficit habitacional
A Unidade Popular (UP) é um partido jovem com métodos de base muito ativos. Priscila Voigt representa a renovação da esquerda radical. A UP foca na mobilização direta. Priscila deve pautar o debate sobre a reconstrução do estado sob a ótica da moradia popular e do combate às mudanças climáticas, usando as tragédias ambientais recentes como prova da falência do modelo atual. Ela fala para uma juventude que não se vê representada nem pelo MDB, nem pelo tradicionalismo do PDT. Sua campanha servirá para capilarizar o partido e preparar terreno para legislaturas futuras.
O Impacto na “Batalha de Canoas”
Em Canoas, essas candidaturas podem ser decisivas. Se Maranata conseguir uma boa votação na região metropolitana, ele retira votos preciosos de Gabriel Souza. Se Rejane e Priscila conseguirem ecoar suas críticas à gestão das enchentes, podem drenar a militância que Juliana Brizola precisa para fechar o cerco contra Zucco.
Para os “nanicos”, a estratégia é clara: ocupar os espaços de sombra deixados pelos gigantes. Enquanto os favoritos brigam pelo centro do palco e pelas grandes alianças, Maranata, Rejane e Priscila lutarão para provar que o eleitor gaúcho não quer apenas escolher entre dois polos, mas sim discutir o estado em suas minúcias e radicalidades.








