Mutirões no Hospital Universitário unem diagnóstico precoce neonatal e mobilização nacional contra varizes

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Com 500 exames de Triagem Auditiva Neonatal e participação na campanha recorde Brasil Sem Varizes, município do Rio Grande do Sul demonstra como a gestão proativa de saúde reduz filas do SUS e transforma indicadores nacionais.

O Fim de Semana que Mobilizou Canoas

Nos dias 15 e 16, o Hospital Universitário de Canoas (HU) tornou-se o epicentro de uma intensa força-tarefa em prol da saúde pública. A instituição promoveu simultaneamente a segunda edição de 2026 do Mutirão do Teste da Orelhinha e a adesão ao projeto nacional Brasil Sem Varizes, idealizado pela Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV).

A mobilização concentrou esforços para realizar 500 exames auditivos em recém-nascidos e cerca de 25 procedimentos vasculares, impactando diretamente dezenas de famílias e contribuindo para aliviar represamentos de demandas no Sistema Único de Saúde (SUS).

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|                     MUTIRÃO DE SAÚDE - HU CANOAS                      |
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|      TESTE DA ORELHINHA           |        BRASIL SEM VARIZES         |
| • 500 exames auditivos            | • ~25 procedimentos vasculares    |
| • Foco: Bebês nascidos no HU      | • Técnicas: Convencional e Espuma |
| • Prevenção e neuroplasticidade   | • Integração com campanha nacional|
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A Ação em Canoas: Atendimento Humanizado e Eficiência

1. Garantindo o Futuro dos Bebês: O Mutirão do Teste da Orelhinha

Realizado no terceiro andar do Ambulatório do HU, o Mutirão do Teste da Orelhinha — tecnicamente conhecido como Triagem Auditiva Neonatal Universal (TANU) — operou a partir das 8h com uma meta precisa: atender 250 bebês no sábado e 250 no domingo.

A seleção dos pacientes priorizou a própria fila interna da maternidade do Hospital Universitário. Crianças que haviam nascido na instituição e ainda aguardavam a testagem foram previamente agendadas pelas equipes do hospital durante a semana, garantindo fluxo organizado e acolhimento adequado.

O Teste da Orelhinha é um procedimento rápido, não invasivo e indolor. Por meio do exame de Emissões Otoacústicas Evocadas (EOAE), uma pequena sonda adaptada à orelha do bebê produz estímulos sonoros suaves e capta as respostas produzidas pelas células ciliadas externas da cóclea.

A Voz das Famílias

A importância vital do exame foi destacada por mães como Greicelhem Sublimam, que acompanhou o filho recém-nascido, Itan, ao lado do esposo, Alier Martins. Após passar por uma gestação delicada, Greicelhem ressaltou o alívio de contar com a agilidade do atendimento público:

“Eu tive uma gestação de alto risco e, por isso, sei da importância de realizar esses testes o quanto antes. Esse acompanhamento é fundamental para identificar possíveis alterações e garantir que a criança receba o cuidado necessário desde os primeiros dias de vida. Além disso, os resultados podem contribuir para um futuro tratamento, caso seja necessário. É uma iniciativa muito importante, que traz mais segurança para as famílias e ajuda a cuidar da saúde das nossas crianças.”

2. Canoas no Recorde Mundial: A Força-Tarefa “Brasil Sem Varizes”

Paralelamente à saúde infantil, o HU de Canoas integrou a megaforça-tarefa Brasil Sem Varizes. Coordenada nacionalmente pela SBACV, a iniciativa reuniu dezenas de hospitais em 19 estados brasileiros com a meta global de realizar 4 mil procedimentos gratuitos, pleiteando inclusive o registro no Guinness World Records como o maior movimento de tratamento cirúrgico e hemodinâmico de varizes já promovido no mundo.

No Rio Grande do Sul, dez hospitais de referência aderiram à causa. No HU Canoas, a equipe médica executou cerca de 25 procedimentos vasculares, combinando cirurgia convencional e escleroterapia com espuma guiada por ultrassom, dependendo do quadro clínico de cada paciente.

A escleroterapia com espuma revoluciona a assistência vascular no SUS porque permite tratar veias safenas e varizes calibrosas sem a necessidade de anestesia geral, corte ou internação prolongada. O paciente realiza o procedimento no ambulatório e retorna para casa caminhando no mesmo dia.

Compromisso Institucional e Satisfação do Paciente

Tatiani Pacheco, superintendente da Associação Saúde em Movimento (ASM), instituição gestora do hospital, reforçou a relevância estratégica da parceria:

“Para nós, é uma honra participar de uma mobilização dessa dimensão e, principalmente, contribuir para ampliar o acesso da população ao atendimento vascular. Ações como essa reforçam o compromisso do HU com a assistência e com a redução das filas do SUS.”

Para os pacientes atendidos, a iniciativa representa o fim de uma longa angústia. Terezinha Delurdes, paciente do serviço de angiologia, expressou a emoção de ser chamada para o procedimento:

“Quando recebi a ligação agendando o procedimento, fiquei muito feliz. O procedimento foi realizado com muita tranquilidade e a equipe médica foi ótima. Agradeço a esse mutirão, que ajuda muito a população a realizar seus procedimentos.”

Panorama histórico e desafios nacionais

Para compreender o alcance da atuação de Canoas, é fundamental analisar a trajetória histórica, a legislação e os gargalos que envolvem tanto a Triagem Auditiva Neonatal quanto o tratamento da Doença Venosa Crônica no Brasil.

1. O Teste da Orelhinha no Brasil: Da Opcionalidade à Obrigatoriedade Legal

Linha do Tempo: Legislação do Teste da Orelhinha no Brasil
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 1998  -> Primeiro Parecer do Comitê Brasileiro sobre Perdas Auditivas na Infância (CBPAI)
 2000  -> Leis Municipais pioneiras (ex: São Paulo, Lei Municipal 13.028/2000)
 2004  -> Política Nacional de Atenção à Saúde Auditiva (Portaria GM/MS nº 2.073)
 2010  -> Sanção da Lei Federal nº 12.303 (Obrigatoriedade nacional e gratuita no SUS)
 2012  -> Publicação das Diretrizes de Atenção da Triagem Auditiva Neonatal pelo MS
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A Importância Clínica do Diagnóstico Precoce

A deficiência auditiva é uma das alterações congênitas mais frequentes. Estima-se que ocorra em 1 a 3 para cada 1.000 recém-nascidos vivos sem fatores de risco e em até 20 a 40 para cada 1.000 recém-nascidos de UTIs neonatais ou gestações de alto risco.

Os primeiros meses de vida constituem o período crítico de desenvolvimento do sistema auditivo central e da linguagem. Graças à elevada neuroplasticidade cerebral nessa fase, a identificação até o 1º mês de vida, o diagnóstico conclusivo até o 3º mês e a intervenção (prótese ou implante coclear com fonoterapia) até o 6º mês garantem que a criança desenvolva a linguagem oral em níveis equiparáveis aos de crianças ouvintes.

O Gargalo Histórico no SUS

Apesar da aprovação da Lei Federal nº 12.303/2010, que tornou o Teste da Orelhinha obrigatório e gratuito em todas as maternidades brasileiras, o país enfrenta desafios estruturais crônicos:

  • Disparidade Regional: Grandes centros urbanos e capitais apresentam coberturas superiores a 80%, enquanto municípios do interior e regiões com vulnerabilidade social histórica operam com índices inferiores a 40%.
  • Desequilíbrio de Equipamentos e Especialistas: A escassez de aparelhos de Emissões Otoacústicas e de fonoaudiólogos treinados na rede pública costuma gerar atrasos no exame inicial.
  • Perda do Vínculo Pós-Alta: Bebês que nascem e recebem alta sem o teste muitas vezes caem no esquecimento das redes de atenção primária, perdendo a janela de oportunidade do desenvolvimento neurológico.

Como Canoas responde ao problema: Ao organizar mutirões focados nas crianças que nasceram na sua maternidade pública e restaram aguardando o exame, o município atua cirurgicamente na correção dessa lacuna, impedindo que os recém-nascidos ultrapassem a janela ideal de diagnóstico.

2. A Doença Venosa Crônica no Brasil: A Epidemia Silenciosa e o Gargalo das Varizes

Estatísticas da Doença Venosa Crônica no Brasil (Dados SBACV)
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| • Prevalência Geral na População Adulta: ~38%                          |
| • Prevalência em Mulheres: > 45%                                       |
| • Prevalência em Homens: ~30%                                          |
| • Causa de Afastamento do Trabalho: Entre as 14 maiores causas do INSS |
| • Complicações sem tratamento: Hiperpigmentação, Eczema, Úlceras Venosas|
└────────────────────────────────────────────────────────────────────────┘

Dimensão do Impacto Social e Econômico

As varizes dos membros inferiores não são apenas uma questão estética, mas uma manifestação da Doença Venosa Crônica (DVC). Trata-se de uma patologia progressiva causada pela incompetência das válvulas venosas e consequente hipertensão venosa nas pernas.

No Brasil, milhões de trabalhadores sofrem diária e silenciosamente com dores intensas, sensação de peso, edema (inchaço), alterações na pele e, nos casos avançados, úlceras venosas — feridas dolorosas de difícil cicatrização que duram meses ou anos. A DVC está entre as principais causas de aposentadoria precoce e auxílio-doença no país.

O Histórico de Filas no SUS e a Revolução da Espuma

Historicamente, o tratamento cirúrgico convencional das varizes (fleboextração/safenectomia) exige:

  1. Avaliação vascular especializada;
  2. Exames de imagem (Doppler colorido);
  3. Leitos cirúrgicos hospitalares e salas de bloco cirúrgico;
  4. Anestesia raquidiana ou geral e período de recuperação pós-operatória.

Devido à priorização de urgências e procedimentos oncologicamente graves na rede pública, a cirurgia de varizes acumulou, ao longo das últimas décadas, uma das maiores filas de espera do SUS, com pacientes aguardando anos por um procedimento.

A introdução e a regulamentação da Escleroterapia com Espuma Guiada por Ultrassom no SUS representaram uma virada de chave histórica. Por ser um método ambulatorial, dispensar bloco cirúrgico e apresentar baixo custo operacional, permitiu a realização de mutirões de alta escala.

O Projeto “Brasil Sem Varizes” e a Lei da Saúde Vascular

A ação em que Canoas se engajou insere-se no contexto da Semana Nacional da Saúde Vascular (instituída pela Lei Federal nº 15.470/2026), celebrada anualmente em agosto. A mobilização da SBACV não apenas oferece alívio imediato aos pacientes sorteados e agendados, como também busca conscientizar os gestores públicos sobre a urgência de incorporar tecnologias minimamente invasivas nas rotinas permanentes dos municípios.

Canoas como referência na gestão de saúde pública

A convergência dessas duas frentes no Hospital Universitário demonstra que o município de Canoas encontrou no modelo de mutirões planejados e agendados uma resposta eficaz para superar gargalos históricos:

  1. Eficiência Administrativa: A utilização do espaço ambulatorial do HU nos fins de semana otimiza a infraestrutura hospitalar existente sem prejudicar as rotinas semanais de consultas e cirurgias eletivas.
  2. Integração com Campanhas Nacionais: A adesão a iniciativas como a da SBACV coloca a cidade no mapa das melhores práticas médicas do país, atraindo expertise e recursos focados na população local.
  3. Redução Efetiva de Demandas Represadas: Ao solucionar 500 exames auditivos e dezenas de procedimentos vasculares em apenas dois dias, o município reduz sensivelmente o tempo médio de espera, oferecendo qualidade de vida e prevenindo complicações graves de saúde.

Iniciativas como as realizadas no HU Canoas provam que a articulação entre capacidade técnica, mobilização social e gestão hospitalar proativa é o caminho para consolidar um SUS cada vez mais ágil, humano e universal.

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